05 janeiro, 2009

Prossegue cenário indefinido para dólar

O ano de 2009 para o dólar ainda é uma incógnita. Não há uniformidade nas opiniões sobre a tendência para a moeda. Frente ao real, embora o espaço para sua valorização seja muito menor hoje do que há um ano, há quem acredite em nova alta na cotação. Outros vêem recuperação do real. Ao menos no começo de 2009, os fatores que fizeram o dólar subir frente ao real em 2008, após cinco anos consecutivos de baixa, devem continuar ajudando a moeda americana.

O dólar iniciou 2009 com queda de 0,21% no primeiro dia útil do ano, a R$ 2,332. Em 2008, a alta da moeda americana foi de 31,94%. O último movimento de alta do dólar no mercado local havia sido registrado em 2002, quando a hipótese de eleição do presidente Lula deixou os mercados nervosos. E foi exatamente um movimento de tensão entre investidores, desta vez desencadeado por problemas no mercado americano, que promoveu a volta do interesse pela moeda forte. "Basicamente foi o medo e não os fundamentos que fizeram o dólar subir. Além disso, houve um problema na estrutura do mercado local, com poucos agentes o que eleva a volatilidade", comenta Roberto Padovani, economista-chefe do banco WestLB.

Nem mesmo os juros internos elevados - os maiores do mundo em termos reais -, conseguiram atrair recursos para o País. Até então, era comum investidores tomarem emprestados no Japão, a taxas baixíssimas, e aplicarem no Brasil, ganhando o diferencial de juros entre os dois países, em operações de carry trade.

"As operações de carry trade, que valorizaram o real por anos, não sobreviveram à crise. O câmbio volátil pode comprometer o ganho do estrangeiro que aplica no Brasil, fica muito arriscado", explica André Loes, economista-chefe do HSBC. O executivo lembra também do processo de desalavancagem global, com investidores reduzindo suas posições mais arriscadas. "O ano foi marcado por um movimento de desalavancagem, com hedge funds americanos se desfazendo de posições globais e repatriando os recursos, o que pressionou o dólar", explica Loes. "O processo de aversão ao risco levou à compra de dólares apenas pela segurança, não teve nada a ver com busca de rentabilidade."

A aversão global ao risco levou à saída em massa de investidores estrangeiros do mercado brasileiro. O pior momento do fluxo cambial - diferença entre ingresso e saída de dólares do País - ocorreu em novembro, quando foi negativo em US$ 7,26 bilhões, a maior saída de dólares do País desde 1999. Embora a principal porta de saída dos recursos tenha sido o mercado financeiro, a diminuição do saldo comercial também ajudou. O saldo, diferença entre exportações e importações, que atingiu o pico em maio com US$ 4,07 bilhões, em dezembro foi de apenas US$ 2,3 bilhões. No acumulado do ano, o superávit ficou em US$ 24,73 bilhões, o pior resultado desde 2002.

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Postado por: NewsComex - Comércio Exterior e Logística

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