26 fevereiro, 2007

Petrobras e Mitsui serão sócias em destilaria de álcool no Centro-Oeste

A Petrobras e a japonesa Mitsui deverão ser sócias minoritárias em destilarias de álcool em parceria com grupos privados instalados no Brasil. Segundo Paulo Roberto da Costa, diretor de abastecimento e comercialização da Petrobras, a estatal avalia "mais de 40 projetos" apresentados pelos mais variados empresários, mas até o momento não assinou nenhum contrato.

O Valor apurou que a estatal estuda implantar pelo menos três usinas de álcool na região Centro-Oeste do país. "Esse projeto faz parte dos planos da Petrobras de exportar álcool para o Japão. O governo japonês avalia a possibilidade de importar álcool brasileiro para implementar o programa de mistura na gasolina, mas só deverá fechar negócio se a Petrobras estiver envolvida", disse uma fonte do governo.

A Petrobras e a Mitsui ainda não definiram de quanto será a participação acionária de cada empresa nessas futuras usinas.

De acordo com Costa, todo álcool a ser produzido no âmbito do memorando de entendimento assinado entre a Petrobras e Mitsui será exportado para o Japão para ser adicionado à gasolina daquele país e também para ser utilizado como combustível para usinas termelétricas em substituição ao gás natural, como parte dos esforços do governo japonês para cumprir seus compromissos de reduzir emissões de gás carbônico na atmosfera.

Em 2003, a Mitsui montou uma planta-piloto de álcool nas instalações da usina Costa Pinto, de Piracicaba (SP), que pertence ao grupo Cosan, para entender a produção de álcool no Brasil. Mas o projeto não foi levado adiante porque a companhia japonesa estava utilizando uma tecnologia não compatível com a aplicada aqui no Brasil, segundo uma fonte.

No fim de dezembro de 2005, a Petrobras criou a empresa Brazil-Japan Ethanol, uma parceria da estatal com a Nippon Alcohol Hanbai, que será responsável por comercializar o álcool brasileiro ao Japão. O acordo entre os dois países prevê o início das operações para 2008, e a Petrobras estima que os japoneses poderão importar 1,8 bilhão de litros de etanol brasileiro por ano.

De acordo com Costa, as usinas que serão construídas para atender à demanda japonesa irão, simultaneamente, produzir energia elétrica em regime de co-geração a partir do bagaço da cana. Além disso, parte da área de plantio poderá ser utilizada para uma cultura paralela, destinada à produção de biodiesel. "Estamos procurando projetos de CBIO", disse. CBIO é a sigla usada para designar um Centro de Produção de Combustíveis Alternativos, conceito dos projetos que a Petrobras e a Mitsui estão buscando para se associarem.

A energia elétrica gerada, segundo Costa, será usada para abastecer suas futuras usinas de álcool e o excedente poderá ser comercializado no mercado. Já o biodiesel vai ser usado na frota das usinas e também para comercialização.

Na análise dos projetos que lhes foram encaminhados, a Petrobras e a Mitsui estão avaliando, entre outros aspectos, a localização do ponto de vista logístico. A Transpetro, subsidiária da Petrobras, tem planos para construção de alcodutos, ligando as regiões produtoras a partir de Senador Canedo, em Goiás, até Paulínia (SP).

Costa disse que a Petrobras e a Mitsui querem participar das empresas que irão gerir cada projeto de álcool para terem o controle sobre o suprimento do produto, para não correrem risco de quebra de contrato com o Japão.

Fonte: Valor Econômico - SP

Postado por: www.newscomex.com.br

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