26 fevereiro, 2007

Ação da Petrobras já caiu 8,7% no ano

As ações da Petrobras não atravessam um bom momento. Com relevante queda acumulada no ano, os papéis da companhia petrolífera têm, além de decepcionado seus investidores, segurado a Bolsa de Valores de São Paulo.

Como a ação preferencial da Petrobras é a mais negociada da Bolsa e a de maior peso na composição do índice Ibovespa (o principal do mercado acionário brasileiro), seu desempenho mais fraco tem efeito de ancoragem para a Bovespa.

Em 2007, a ação preferencial da Petrobras acumula desvalorização de 8,71% (até o dia 22). Em 12 meses, o resultado é positivo, em 8,4%. Mas ambos os dados são inferiores ao registrado pelo Ibovespa: altas de 4,45% e 21,46%, respectivamente.

O desempenho mais fraco da Petrobras na Bolsa nos últimos meses tem refletido, em parte, a depreciação do valor do barril de petróleo no mercado internacional. Nos últimos 12 meses, o barril em Nova York teve recuou de 0,10%, indo a US$ 60,95 na última quinta-feira. Em julho de 2006, o barril do produto bateu em US$ 78.

"As oscilações nos preços do barril de petróleo no exterior tiveram impacto sobre os papéis da empresa", diz Arnaldo José da Silva, gestor de renda variável da Grau Gestão de Ativos. Ele lembra que as ações da Petrobras têm nos estrangeiros um grupo importante de investidores.

O saldo das operações feitas pelos estrangeiros com ações brasileiras na Bovespa em 2006, que ficou em R$ 1,75 bilhão, foi o mais fraco desde 2002. Neste ano, esse balanço está negativo em R$ 105,3 milhões. Ou seja, esse movimento acaba por se refletir nas ações da companhia petrolífera.

O resultado da Petrobras em 2006, quando teve lucro recorde de R$ 25,919 bilhões, alta de 9% em relação a 2005, foi recebido friamente por analistas e investidores, que esperavam números mais fortes. O que mais decepcionou foi o resultado do quarto trimestre de 2006 (lucro de R$ 5,2 bilhões), que caiu 36% em relação ao último trimestre de 2005.

A ação PN (preferencial) da Petrobras representa 13,79% do Ibovespa, sendo a de maior peso no índice. Juntas, as ações PN e ON da Petrobras foram responsáveis por cerca de 22% de toda a movimentação de janeiro feita na Bovespa.

Dessa forma, um retorno ruim de seus papéis limita os ganhos da Bolsa paulista.

Para Silva, as quedas recentes da Petrobras não são motivo para o investidor vender suas ações. "Quem ainda não vendeu as ações da Petrobras é melhor aguardar. Não vejo motivos para os papéis descerem muito abaixo do atual nível de preço", afirma o gestor.

Na semana passada, a ação preferencial da companhia mostrou certa reação e registrou alta de 2,48%.

No exterior - O desempenho das ações de empresas petrolíferas na Europa também tem sido fraco nos últimos 12 meses -com alguns até piores que o da brasileira.

As ações da italiana ENI acumulam alta de só 4,67% nos últimos 12 meses; as da francesa Total subiram só 2,19%.

Já a britânica British Petroleum tem decepcionado seus investidores: suas ações acumulam queda de 17,11% nos últimos 12 meses. Ela teve recuo de 22% em seu lucro no quarto trimestre de 2006. Além da baixa no petróleo, a BP tem sofrido com diferentes problemas nos últimos meses, como o atraso na abertura de sua principal plataforma no golfo do México e a paralisação de suas operações em campo no Alasca.

Quem tem apresentado retornos mais favoráveis no setor são as americanas. As ações da Chevron, segunda maior empresa do ramo nos EUA, subiram 27,38% desde fevereiro de 2006. E, mesmo com o petróleo em baixa, a Chevron obteve elevação de 22% em seu lucro entre 2005 e 2006, alcançando US$ 17,14 bilhões.

Fonte: Folha de S.Paulo

Postado por: www.newscomex.com.br

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